Crítica: Dançarina Imperfeita (Work It) [2020]

A nova produção teen da Netflix não reinventa a roda, mas tudo bem, porque serve bem o propósito da roda ao nos conduzir numa história divertida. Dirigido por Laura Terruso e produzido pela cantora Alicia Keys, o longa Dançarina Imperfeita foca na vida de Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter) e suas tentativas de entrar na mesma faculdade que seu pai frequentou.

Apesar de Sabrina ter começado sua carreira como atriz na Disney Channel, eu só conhecia seu trabalho como cantora. Aqui, ela é carismática e convence como a garota que não foi bem na entrevista para entrar na faculdade e precisa se reinventar em poucas semanas. A forma que a personagem encontra para isso é tornar-se uma dançarina e participar de uma competição em grupos de dança. Ela conta com a ajuda de sua melhor amiga, Jass (Liza Koshy), que tem a dança como prioridade e aspira ser notada por um olheiro. Liza foi descoberta no finado aplicativo de vídeos curtos Vine e depois disso migrou para o youtube onde recebeu mais atenção antes de começar a trabalhar como atriz.

As duas montam um grupo de alunos desajustados, mas que partilham da mesma vontade de dançar, cada com seu estilo diferente. Esses personagens secundários mostram-se promissores, mas acabam recebendo pouco destaque e são lembrados por uma ou duas características de sua personalidade. Juntos, eles funcionam muito bem. A dinâmica me lembrou a da equipe de A Escolha Perfeita (2012).

Outro ator e cantor no filme é Jordan Fisher, que já atuou na sequência de Para Todos os Garotos Que Já Amei, outra produção do streaming. Ele interpreta o ex-aluno e agora professor de dança que fica responsável por treinar a equipe e torna-se o interesse romântico da protagonista. Os dois tem bastante química e as cenas onde eles dançam juntos são bem divertidinhas de assistir.

A música e a dança são os grandes temas do filme e por isso o cuidado com a escolha da trilha sonora e das coreografias pode ser notado. As músicas que tocam no filme são atuais (a maioria tendo sido lançada em 2020 mesmo) e as que não são, ainda assim, agregam à narrativa. Já as cenas de dança são muito bem coreografadas e o trabalho de edição torna elas ainda mais dinâmicas. O antagonista do longa e líder da equipe rival é Jake Taylor (Keiynan Lonsdale), um grande dançarino e, embora, não consigamos conhecer muito dele, o personagem ainda gera momentos cômicos.

Além da falta de profundidade em alguns personagens, o roteiro perde um pouco de força em focar tanto na ligação de Quinn com seu pai, que a faz escolher a faculdade para onde vai, e, ao mesmo tempo, não nos fornecer nenhum tipo de elemento para que consigamos compreender essa ligação. O uso de flashbacks resolveria o problema talvez.

A roteirista Alison Peck acerta ao manter a história repleta de referências atuais que dão um ar fresco ao roteiro. Algumas das minhas favoritas são as citações a elementos dos universos de Strangers Things, o reality show RuPaul’s Drag Race, Queer Eye e o documentário/concerto Homecoming da Beyoncé. Claro que todos são produções da Netflix ou estão presentes no catálogo.

Embora a Netflix produza muito conteúdo e, ultimamente, os acertos venham em menor quantidade, a rede de streaming mostra nesse filme que consegue criar histórias que soam como novidade, mesmo que contenham elementos já trabalhados antes.

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