Pipoclássicos #2 – Crepúsculo Dos Deuses (1950)

O crepúsculo é o período de claridade entre o final do dia e o começo da noite e acredito que seja uma ótima referência à carreira da protagonista Norma Desmond (Gloria Swanson). No auge de sua carreira, Norma era uma das maiores atrizes do cinema mudo, mas com a transição para o cinema falado e, também, com o passar do tempo, ela foi caindo no esquecimento. Vivendo reclusa em sua mansão, com a companhia de seu mordomo, ela é surpreendida pela visita do roteirista Joe Gillis (William Holden). Norma e Joe fazem um acordo para que ele revise o roteiro que ela vinha escrevendo e que serviria como seu retorno triunfal aos holofotes. Ao notar que a qualidade do material era baixa demais para trabalhar, Joe fica relutante, mas por estar precisando do pagamento aceita a tarefa.

Conforme os dois personagens vão se aproximando, Norma, que num primeiro momento age enraivecida e autoritária, vai mostrando um lado mais vulnerável e ainda mais letal. Gloria Swanson interpreta todas essas camadas com genialidade em uma das atuações mais memoráveis que já assisti. A história da atriz e da personagem possuem algumas similaridades. Assim como Norma, Glória também era uma grande estrela do cinema mudo. Crepúsculo dos Deuses marca, inclusive, um sucesso no cinema após essa fase.

O longa, ao mesmo tempo, satiriza e homenageia a indústria cinematográfica. Faz referências a diversos filmes e estrelas que marcaram a história de Hollywood e conta com a participação de alguns deles, Buster Keaton (astro de filmes como Sherlock Jr.), por exemplo. No entanto, o foco maior é numa parte mais sombria e decadente desse meio. Há uma crítica à forma como artistas que envelhecem são descartados e se tornam “obsoletos” para os estúdios de cinema.

Dirigido e roteirizado por Billy Wilder, responsável por filmes como Quanto Mais Quente Melhor (1959), a história de Norma obteve um sucesso moderado nas bilheterias, mas foi aclamado instantaneamente pela crítica. Concorreu em 11 categorias no Oscar e venceu em três, sendo elas: Melhor Roteiro Original, Trilha Sonora e Direção de Arte. O longa foi adaptado para o teatro como musical e venceu mais prêmios nesse formato. Até hoje, consta em várias listas como um dos melhores filmes já feitos.

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