Crítica: Os 7 de Chicago (2020)

Aaron Sorkin, responsável pelo roteiro de A Rede Social e O Homem que Mudou o Jogo, dirige e assina o roteiro de Os 7 de Chicago. O longa adiciona elementos de filmes de tribunal a um drama histórico, baseando-se nos eventos que ocorreram após um tumulto causado durante a Convenção Nacional Democrata em 1968. Grupos de protestantes se reúnem, em Chicago, para expor suas visões contrárias à Guerra do Vietnã. No ano seguinte, alguns dos indivíduos são acusados de conspiração e, logo de cara, a diferença entre eles chama a atenção.

Para representar os rostos desse evento histórico, foi reunido um elenco com nomes notáveis e premiados. Eddie Redmayne, vencedor do Oscar pela sua interpretação de Stephen Hawking, e Sacha Baron Cohen, o eterno Borat, são dois dos nomes de destaque. Eles interpretam personagens com abordagem opostas sobre como lidar com o julgamento: Tom Hayden (Redmayne) prefere seguir as convenções e Abbie Hoffman (Baron Cohen) opta pela subversão. Outros dos nomes que compõem o elenco são Mark Rylance, como o advogado de defesa William Kunstler, e Joseph Gordon-Levitt, como o promotor do caso. Todos funcionam bem juntos e são o ponto forte do filme.

Assim como em A Rede Social, o diretor Aaron Sorkin utiliza de flashbacks e os alterna com as cenas do julgamento e seus bastidores. O uso desse elemento mantém o público instigado e ainda possibilita um clímax quando o desenrolar dos eventos que levaram até o tumulto é mostrado. Apesar da temática atual e do elenco estelar, o excesso de dramatização presente em algumas cenas acaba conflitando com a parte histórica. O juiz Julius Hoffman, interpretado por Frank Langella, é tão unidimensional que se torna caricato, já que o roteiro não utiliza de nenhuma sutileza para mostrar ao espectador que o personagem não está apto para exercer a função.

Os problemas ficam ainda mais evidentes no ato final, que é um tanto quanto pastelão, por falta de uma palavra melhor. Como um todo, é um título com grandes performances e que entretém. Poderia ser melhor se optasse por uma abordagem mais realista e crua, como em uma cena específica onde o ator Yahya Abdul-Mateen II se destaca. Não acho que o longa mereça o grande prêmio na noite do Oscar, mas conhecendo um pouco da Academia, eu não ficaria surpreso se levasse, já que possui vários pontos que eles adoram.

três estrelas

Trailer:

O longa está disponível no serviço de streaming Netflix.

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