Crítica: A Mulher na Janela (2021) por Beto Fanck

Mesmo 41 anos após sua morte, Alfred Hitchcock segue deixando sua marca em praticamente todos os suspenses produzidos em Hollywood. A Mulher na Janela não é diferente e o filme faz questão de logo nos primeiros minutos indicar de maneira irônica suas referências ao mestre do gênero.

Com uma premissa similar à Janela Indiscreta, clássico de Hitchcock, o filme de Joe Wright conta a história de Anna Fox (Amy Adams), uma psicóloga que está reclusa em sua casa por conta da sua condição de agorafóbica. A sinopse se abre rapidamente e o espectador fica a par da situação de Anna, embora seja perceptível que há segredos no ar.

O elenco que Wright tem em mãos é estelar. Além de Adams, o filme é estrelado por Julianne Moore, Gary Oldman, Brian Tyree Henry e Wyatt Russell. É justamente quando Moore entra em cena que o filme chega ao seu ápice, logo na marca de trinta minutos.

Jane Russell (Julianne Moore) acabara de chegar a Manhattan e vai conhecer sua vizinha. Ela e Anna têm uma conversa enigmática e cativante, responsável pelo fôlego que faz o espectador seguir vidrado na tela. Entretanto, a atriz não retorna mais à tela e A Mulher na Janela inicia uma espiral de queda qualitativa.

O grande truque que a direção de Wright e o roteiro de Tracy Letts (Killer Joe) buscam atingir é a brincadeira com a sanidade da personagem de Adams. O recurso não é uma novidade no cinema e Meu Pai, com Anthony Hopkins, é um exemplo claro do sucesso desta ferramenta, mas aqui não funciona. Buscando a todo momento expôr os problemas da protagonista, o roteiro acaba por insultar quem assiste as revelações óbvias à sua frente.

Vale ressaltar que a direção não é ruim. Joe Wright, que possui o competente O Destino da Nação no currículo, aplica uma boa fluidez durante o curso do filme. Os recursos visuais, como os filmes na televisão de Anna e a neve caindo no seu sono, oferecem profundidade ao enredo, que infelizmente segue raso no restante.

A Mulher na Janela frustra. Não por ser um filme ruim do início ao fim ou por simplesmente ser algo intragável. A frustração advém do desperdício que se sente ao final de 100 minutos. O desfecho é ruim e o caminho até ali conta com uma queda muito grande de qualidade de uma trama que empolga no seu início. Os elementos para um ótimo filme estão ali. As referências e o elenco também. Pena que faltou a execução.

2/5

Trailer:

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