Crítica: Cruella (2021)

A nova adaptação cinematográfica da Disney foca em uma de suas mais icônicas vilãs: Cruella de Vil. O diretor Craig Gillespie fica responsável por trazer para as telas a história de origem da personagem vivida pela atriz Emma Stone. O resultado? Um espetáculo glam com trilha sonora recheada de pop punk britânico e outros clássicos.

Apesar da escolha de uma atriz tão prestigiada para o papel principal, o ceticismo foi uma das primeiras reações do público ao ser noticiado o lançamento do filme. Afinal, como uma vilã conhecida por antagonizar cãozinhos poderia merecer seu próprio longa? A resposta da Disney foi humanizar a protagonista, em moldes similares ao de Malévola (2014), outro título do estúdio. 

Assinando o roteiro, Dana Fox e Tony McNamara colocam a personagem de Stone como uma anti-heroína ao ilustrar sua infância sofrida e os motivos que a levam a se tornar Cruella. Antes de decair ao vilanismo, a estilista era uma ladra chamada Estella que realizava pequenos delitos com seus companheiros Horário (Paul Walter Hauser) e Jasper (Joel Fry). 

A vida de Estella começa a mudar quando ela consegue uma vaga em seu trabalho dos sonhos ajudando a Baronesa (Emma Thompson) a desenhar novos vestidos. Após a aproximação entre as duas, segredos vão sendo descobertos e dá-se início a transição de personalidade da protagonista de uma forma que deixaria Todd Phillips e seu Coringa com inveja.

A química em cena entre as “Emmas” é um dos pontos altos do filme. Os diálogos afiados e as personalidades sarcásticas das personagens permitem que Stone e Thompson entreguem diálogos ácidos e atuações letais com boas doses de humor. Os parceiros de crime das duas também divertem o público e, no caso de Estella/Cruella, servem como uma ponte para o seu lado mais humanizado. 

Não poderia deixar de mencionar os figurinos glamourosos que são tão importantes na narrativa. A responsável por eles é Jenny Beavan, vencedora do Oscar por seu trabalho em Mad Max: Fury Road (2016). A figurinista revelou que os looks do filme foram fortemente inspirados na década de 1970 e que fez questão de diferenciar, pelas cores, por exemplo, os vestidos de Cruella e sua algoz Baronesa.

Em diversos momentos, foi quase como assistir a um musical de tão proeminente que a trilha sonora é. Contando com uma gravação da artista Florence + The Machine de Call Me Cruella, foram utilizados, também, clássicos de nomes como Nina Simone e as bandas Blondie, Queen e The Door. Se apenas os nomes não convencem da grandiosidade da trilha, eu reafirmo: é um grande show à parte.

Cruella flerta entre o glamour e a cafonice sem medo, andando numa linha tênue que representa bem a própria personagem título. O longa é repleto de cenas de ação apoteóticas  com Londres de pano de fundo e as referências à cidade incluem até o Tottenham, time mais conhecido de futebol. As partes mais fantasiosas do enredo acabam destoando e tirando um pouco da credibilidade, mas o filme se sustenta de forma consistente mesmo assim. Para os fãs da animação original, foram colocados alguns easter-eggs durante o filme, mas, principalmente, na cena pós-créditos. Vale a pena conferir.

4/5

Trailer:

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