Crítica: Druk – Mais Uma Rodada (2021) por Beto Fanck

Em 1998, o diretor Thomas Vinterberg cruzou o Atlântico com o filme Reunião de Família e, junto com Lars Von Trier, difundiu o movimento Dogma 95 no cinema hollywoodiano. Já com a cena diluída, vieram obras como Ninfomaníaca e Anticristo, de Von Trier, e A Caça, de Vinterberg. Agora, o diretor dinamarquês retorna ao seu país de origem para elaborar os luxuosos problemas de uma população estável.

A premissa de Druk é simples. Quatro professores na casa dos 40 anos decidem testar a teoria de que 0,5% de teor alcoólico no sangue aumenta a criatividade e a sensação de relaxamento. Com isso, os protagonistas do filme passam a beber ao longo do dia, o que cria situações cômicas e igualmente trágicas nas suas rotinas.

Flertando com o alcoolismo, o grupo decide criar regras, mas rapidamente progride dentro das suas projeções, cada vez mais admirados com os resultados dos seus testes. Afinal, o professor tímido ganha a atenção da turma, o músico sente os ritmos com ainda mais sensibilidade e o psicólogo cada vez entende mais as elaboradas teorias.

O roteiro aqui não surpreende, mas isso pouco convém. Apesar de esperarmos que o rápido sucesso do experimento seja seguido de erros crassos, a maneira como Vinterberg nos guia na jornada dos quatro protagonistas é deliciosa. Talvez isso nem precise ser dito, mas não é todo dia que um filme dinamarquês cativa e diverte de maneira universal como Druk. Em comparação com seu sucesso A Caça, que divide o protagonismo de Mads Mikkelsen – igualmente genial na obra de 2012 -, o diretor transita em diferentes gêneros com bastante fluidez.

Outro ponto que age a favor do filme é a cinematografia, obra do norueguês Sturla Brandth Grøvlen. As transições e o recurso visual de adicionar constantemente a porcentagem de álcool no sangue de Martin, Tommy, Nokolaj e Peter situa o espectador com os pés no chão em uma trama que avança rapidamente.

O ponto central de Druk recai sobre as inseguranças dos quatro homens, em especial Martin. Em meio a um casamento morno, o professor de História está disposto a beber no café da manhã para aquecer sua vida. A estabilidade da sua rotina traz à tona os demônios da sua mente e isso se repete para os demais protagonistas. “O que temos a perder?” é o grande mote entoado pelos quatro. E eis o trunfo da obra de Vinterberg: há muito a perder.

O mais recente vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Druk – Mais Uma Rodada é uma incrível jornada pelos deleites do álcool e a fragilidade da mente humana. Ainda que todos os seus 117 minutos sejam de qualidade, o grande destaque do filme fica para a cena final. Mads Mikkelsen brilha com toda a sua graça em uma das cenas mais belas de 2020. Finesse.

5/5

Trailer:

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One thought on “Crítica: Druk – Mais Uma Rodada (2021) por Beto Fanck

  • 02/06/2021 em 15:42
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    Muito boa a crítica, já separei na lista para ver depois!

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