Crítica: Maligno (2021) por Beto Fanck

Logo nos primeiros minutos de seu mais novo filme, Maligno, James Wan desperta nas telas o exato oposto do rumo atual de sua carreira. Após dirigir os blockbusters Velozes e Furiosos 7 e Aquaman, o cineasta faz questão de imprimir cenas de baixo orçamento, com cortes brutos e câmeras anguladas. Esta é apenas a primeira das inúmeras homenagens que o diretor faz ao gênero que o levou à fama: o terror.

Após emular Sam Raimi e produções como Uma Noite Alucinante, Wan rapidamente traz para 2021 o giallo e o slasher. A premissa segue Madison Mitchell, cujo marido é assassinado de maneira brutal por um criminoso mascarado. É na figura do antagonista que o diretor consegue atingir o seu ápice estético em Maligno, criando uma mistura de Dario Argento em seus clássicos gialli e Cronenberg com suas monstruosidades visuais.

Com o avançar da trama, Madison passa a ter visões de outros assassinatos brutais cometidos por este criminoso misterioso, como se houvesse alguma conexão entre os dois protagonistas. A perseguição incessante contém elementos comuns em filmes do gênero, lembrando os slashers do início da década de 80 e os thrillers psicológicos noventistas.

Em determinado momento, Wan presenteia o público com uma tomada revigorante e que certamente foi fundamental no processo de criação da obra. O andar da história, ao contrário do que se espera, não opta por um caminho definitivo. Embora apresente inúmeras referências – e qualquer uma delas poderia facilmente servir como resolução -, Wan faz questão de criar uma amálgama de temáticas, surpreendendo a audiência.

É preciso ressaltar que Maligno existe por conta do respaldo que o sucesso de Wan lhe concedeu. O filme é corajoso e nas mãos de qualquer outro diretor poderia simplesmente cair por terra, provocando risadas e não tensão. Não são poucos os elementos desconcertantes, antinaturais e propositalmente exagerados.

As homenagens aos quase cem anos de cinema de horror não deixam de surgir, mas relatá-las aqui tiraria parte da graça de Maligno. Em um gesto que demandou culhões, James Wan criou um novo destaque na sua carreira e, após 17 anos do lançamento de Jogos Mortais, o diretor enfim conseguiu brindar ao seu sucesso.

Trailer:

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