Crítica: The Voyeurs (2021)

Eu sou completamente a favor de diretores que se inspiram em outras obras em seus longas. O próprio Brian De Palma – um dos meus cineastas favoritos – que é uma das inspirações desse filme bebeu, também, da fonte de Alfred Hitchcock. O problema é quando o projeto não introduz elementos o suficiente para manter-se sozinho e acaba ficando na sombra de suas homenagens. Em The Voyeurs, o diretor e roteirista Michael Mohan utiliza filmes como Rear Window (1954) e Body Double (1984) para nortear o seu suspense erótico. Os protagonistas Pippa (Sydney Sweeney) e Thomas (Justice Smith) se mudam para um apartamento novo com janelas enormes e sem cortinas, fato que não parece incomodar o casal, em Montreal. Não demora muito para que eles percebam que os vizinhos do prédio da frente são bastante desinibidos.

O que parecia ser um entretenimento descompromissado acaba se tornando um problema na vida do casal que discute os limites da invasão de privacidade. No entanto, a vida dos vizinhos vai se tornando cada vez mais intrigante e envolvente. Seb (Ben Hardy), um fotógrafo, trai sua parceira com as modelos que ele fotografa e, ao descobrir isso, Pippa utiliza de um senso de moral e justiça para justificar seu interesse e atração no vizinho. Quando apenas assistir já não satisfaz mais, ela e Thomas conseguem instalar um dispositivo que permite com que eles escutem as conversas vindas do apartamento. A trama vai escalando, de forma lenta demais, conforme a vida dos personagens se entrelaça. Julia (Natasha Liu Bordizzo), a esposa de Seb, vai até o consultório de oftalmologia onde Pippa trabalha e as duas desenvolvem uma espécie de amizade.

Após chegar em seu ápice, The Voyeurs se perde em uma sequência de plot twists que pouco convencem. Aliás, nem o casal protagonista consegue convencer o espectador de que está tão apaixonado a ponto de começar uma vida juntos. O ponto forte fica na parte erótica do longa, especialmente, na dinâmica entre Sydney Sweeney e Ben Hardy. Os atores transbordam sex appeal e funcionam bem juntos. É, justamente, quando o diretor tenta sair desse espectro do thriller para algo mais dramático que o filme perde muito do que tornava sua premissa interessante.

Alguns elementos como a constante lembrança ao espectador da importância da visão para o filme acabam se tornando repetitivas. O fato de Pippa ser uma oftalmologista é um exemplo disso. Até tenta se dar uma importância maior a esse fato no final do longa, mas não compensa muito. Talvez por ser longo demais para a qualidade do roteiro ou por ser muito ambicioso em suas referências, The Voyeurs acaba sendo frustrante. Poderia ser algo fresco que lançaria Sydney como uma das grandes atrizes do gênero, como Sharon Stone, mas não entrega o suficiente para isso.

2/5

Trailer:

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